A moda de luxo sempre flertou com o absurdo, mas a Vetements acaba de elevar a temperatura — literalmente. A marca, conhecida por transformar o cotidiano banal em fetiche de consumo, lançou uma camisa branca minimalista com uma estampa que simula uma marca de ferro de passar queimado. O preço? Mais de mil dólares.
O que para qualquer mortal seria motivo de choro e uma ida rápida à seção de panos de chão, na etiqueta da Vetements vira "item de colecionador". Mas a pergunta que não quer calar é: estamos diante de um manifesto artístico ou de um teste de QI para milionários?
A Estética do Erro: Arte ou Escárnio?
Para os defensores da marca, a peça é puro suco de ironia pós-moderna. Vivemos em uma era de perfeição digital filtrada; exibir o erro — o "acidente doméstico" — seria uma forma de humanizar a alta moda. É o ready-made de Duchamp aplicado ao guarda-roupa: se o artista diz que o mictório é arte, a marca diz que o descuido é luxo.
Por outro lado, há quem veja nisso o ápice do vazio criativo. Quando uma marca vende uma simulação de destruição por um valor que pagaria o aluguel de uma família média, o debate deixa de ser estético e passa a ser sociológico.
- A Provocação: A Vetements sabe que vai gerar memes. O barulho nas redes sociais é o verdadeiro produto.
- O Marketing de Choque: No mercado de luxo atual, o pior pecado não é ser feio, é ser invisível.
O Luxo da Conveniência (para quem não limpa a própria casa)
Existe um componente de classe inegável nessa peça. O "look queimado" só é cool para quem nunca teve que se preocupar com o custo de repor uma camisa de trabalho estragada.
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Perspectiva |
O que enxerga |
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O Crítico de Arte |
Uma crítica ao perfeccionismo e à efemeridade do consumo. |
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O Consumidor "Hypebeast" |
Um símbolo de status que grita: "Eu entendo a piada interna". |
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O Público Geral |
Um deboche descarado com o valor do dinheiro. |
Quem está rindo por último?
A Vetements não vende camisas; ela vende a reação que você terá ao ver alguém usando essa camisa. Se você achou ridículo, o marketing deles funcionou: você está falando sobre eles.
No fim das contas, a "camisa queimada" é o espelho perfeito de um mercado que valoriza mais o conceito (ou a audácia) do que a utilidade. Se a moda é uma forma de expressão, essa peça diz claramente: "Eu posso pagar caro para parecer que falhei".
"A moda é o que você adota quando não sabe quem você é." — E se a sua identidade custa mil dólares e vem com marca de chamuscado, talvez o ferro não tenha queimado apenas o tecido, mas o bom senso coletivo
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