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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

O Grande Desatar


O Sena corria indiferente sob a Pont Neuf, como sempre fez, mas para Eve, aquelas águas não eram mais um espelho de melancolia romântica. Eram apenas hidrogênio e oxigênio seguindo um caminho que ela não pretendia mais trilhar.

​Paris tem essa mania de se vender como um abraço eterno, mas Eve sentia o aperto de um torniquete.

Por Enéas Bispo 

Naquela manhã de cinza pálido, o ar carregava o cheiro de manteiga queimada e asfalto úmido — o perfume oficial das promessas não cumpridas. Eve não arrumou as malas com a delicadeza de quem planeja voltar. Ela as socou com a fúria silenciosa de quem corta amarras.

  • Os Laços: As agendas cheias de nomes que soavam como música, mas pesavam como chumbo.
  • Os Monumentos: A Torre Eiffel, que outrora parecia um farol, agora não passava de um esqueleto de ferro vigiando sua estagnação.
  • Os Sabores: O confit de canard, o vinho encorpado de Bordeaux, o queijo que derretia na boca — tudo aquilo agora tinha o gosto metálico da obrigação.

​O Som do Silêncio

​Enquanto caminhava em direção à Gare du Nord, vozes se ergueram. Eram os protestos dos "amigos" de galeria, os clamores dramáticos de amantes que confundiam posse com paixão, os apelos da própria cidade que sussurrava em cada esquina: "Ninguém deixa Paris e sai ileso".

​Eve não ouviu. Ou melhor, ouviu e escolheu o vácuo.

​Não houve o "olhar para trás" cinematográfico. Não houve a lágrima furtiva ao ver o Sacré-Cœur sumindo no horizonte. Para ela, a cidade luz tinha acabado de queimar a última lâmpada. O toque daqueles que tentaram retê-la pelo braço deslizou por sua pele como se ela estivesse untada em desapego.

​A Liberdade é um Trem em Movimento

​Ao sentar-se na poltrona do trem, o estalo das portas fechando foi o som mais bonito que ouviu em décadas. Não era apenas uma partida; era uma exorcização.

​Paris ficava para trás com seus museus empoeirados de memórias e suas ruas que exigiam uma elegância que lhe exauria a alma. Eve Daut não estava fugindo; ela estava, finalmente, ocupando o próprio espaço.

​Pela janela, o borrão cinza da capital deu lugar ao verde cru do campo. Ela fechou os olhos. Pela primeira vez, o oxigênio não tinha gosto de croissant, nem de fumaça, nem de passado. Tinha gosto de nada. E o nada, para Eve, era o começo de tudo.

quarta-feira, junho 26, 2024

Clemilda: A Guerreira do Mato, um Símbolo de Força e Resistência no Cariri Paraibano


Por Enéas Bispo

No coração árido do Cariri paraibano, onde a terra se curva sob o sol escaldante e a vida brota com teimosia, surge a figura imponente de Clemilda, a Guerreira do Mato. Mais do que uma simples agricultora, ela é um farol de esperança e resistência para seu povo, um ícone que encarna a força indomável da mulher caririzeira.

Clemilda é a voz daqueles que lutam contra as intempéries e adversidades da região. Ela é a líder que inspira e guia sua comunidade.

Sua história é um hino à bravura e à perseverança. Nascida e criada no seio da caatinga, Clemilda aprendeu desde cedo a tirar o sustento da terra árida. Com mãos fortes, trabalho árduo e um sorriso que irradia força, ela sempre enfrentou o dia a dia com determinação e garra, transformando desafios em oportunidades.

Clemilda não é apenas uma agricultora exemplar; sua profunda conexão com a terra a tornou uma referência para todos que também vivem da terra. Ela é a prova viva de que é possível vencer as adversidades e construir uma vida digna, mesmo nas condições mais desafiadoras.

Mais do que um orgulho para sua comunidade, Clemilda é um símbolo de esperança para o agro de Monteiro. Sua história inspira a todos que lutam por um futuro melhor, mostrando que a força do povo caririzeiro é capaz de superar qualquer obstáculo.

Clemilda, a Guerreira do Mato, personifica a mulher de Monteiro: forte, resiliente e incansável na luta por um mundo mais justo e sustentável. Sua história é uma inspiração que deve ser valorizada e transmitida a todos que almejam um futuro promissor.

domingo, junho 16, 2024

Rosilda Lima: A Empreendedora que Molda o Futuro de Sumé com Coragem e Compromisso


Por Enéas Bispo

Rosilda Lima é o retrato da determinação e do sucesso. Empreendedora por natureza, ela trocou a agitação de João Pessoa pela autenticidade do interior paraibano, escolhendo Sumé, no Cariri, para chamar de lar e palco de suas conquistas. Lá, ela construiu não apenas negócios – a Padaria Pães e Cia e a Loja Encantada Mundo Mágico – mas também um legado de amizades e envolvimento comunitário que a tornam uma verdadeira filha da cidade.

Com uma pré-candidatura a vereadora no horizonte, Rosilda se destaca pela sua capacidade de liderança e empatia. Ela conhece bem os desafios do trabalho duro, tendo já estado "do outro lado do balcão". Essa experiência lhe confere uma visão única para cobrar eficiência e inspirar qualidade em sua equipe.

Mais do que uma empresária, Rosilda é um exemplo de mulher multifacetada: esposa, mãe, avó e líder, enfrentando cada desafio com elegância e determinação. Ela é a prova viva de que é possível ser simultaneamente poderosa no mundo dos negócios e profundamente enraizada em sua comunidade.

sábado, abril 06, 2024

Ziraldo, o Menino Maluquinho que encantou o Brasil, morre aos 91 anos


Por Enéas Bispo 

Ziraldo Alves Pinto, o cartunista, escritor e dramaturgo que nos presenteou com o inesquecível Menino Maluquinho e tantas outras obras memoráveis, faleceu neste sábado (6) aos 91 anos, em sua casa no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.

Ziraldo era um artista completo, que transitava com maestria entre a literatura, o humor, a crítica social e a política. Sua obra, marcada pela criatividade, irreverência e humor inteligente, encantou e inspirou gerações de brasileiros.

O Menino Maluquinho, um ícone da literatura infantil brasileira


Em 1969, Ziraldo deu vida ao Menino Maluquinho, personagem que se tornou um ícone da literatura infantil brasileira. O menino de cabelos espetados e imaginação fértil conquistou o coração de crianças e adultos com suas aventuras, travessuras e reflexões sobre a vida.

O livro "O Menino Maluquinho" foi traduzido para mais de 10 idiomas e vendeu milhões de exemplares, tornando-se um clássico da literatura mundial. As histórias do personagem também foram adaptadas para o cinema, teatro e televisão.

Um legado de criatividade e arte

Ziraldo foi um artista prolífico, que produziu uma vasta obra que inclui livros infantis e adultos, quadrinhos, charges, cartuns, peças de teatro e roteiros de cinema.

Algumas de suas obras mais famosas:

Livros infantis: O Menino Maluquinho, Flicts, A Turma do Pererê, O Bichinho da Maçã

Livros para adultos: O Pasquim, A Supermãe, O Corvo, O Gerente

Quadrinhos: Turma do Pererê, Jeremias Sem-Chão

Charges: publicadas em diversos jornais e revistas brasileiras

Ziraldo, uma voz crítica e engajada

Ziraldo era um artista engajado nas questões sociais e políticas do Brasil. Sua obra frequentemente abordava temas como a desigualdade social, a censura e a defesa da democracia.

Um artista que deixa saudades

A morte de Ziraldo é uma grande perda para a cultura brasileira. Ele deixa um legado de criatividade, humor e inteligência que continuará a inspirar e encantar pessoas de todas as idades.

Homenagens

Nas redes sociais, diversas personalidades e instituições lamentaram a morte de Ziraldo e prestaram homenagens ao artista.

"Ziraldo foi um gênio da nossa literatura e do nosso humor. Sua obra marcou a vida de milhões de brasileiros", escreveu o presidente da República em seu Twitter.

"O Brasil perde hoje um de seus maiores artistas. Ziraldo, obrigado por tudo", disse a escritora Ana Maria Machado.

Despedida

Ziraldo será velado neste domingo (7) no Rio de Janeiro. O enterro será realizado no dia seguinte em um cemitério da cidade.

Fica a saudade e a gratidão por um artista que nos ensinou a ver o mundo com mais humor, criatividade e amor.