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quinta-feira, agosto 13, 2026

A “maravilhosa” Karoline Leavitt abandona a Casa Branca para, vejam só, passar mais tempo com a “linda família”


Por Enéas Bispo 

Em mais um capítulo emocionante da novela política americana, a “maravilhosa” porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que vai largar o cargo no final deste mês. O motivo? Passar mais tempo com a sua “linda família”. Que surpresa. Que originalidade. Que escolha completamente imprevisível.

O próprio presidente Donald Trump, em post no Truth Social, não poupou elogios à jovem de 28 anos (a mais jovem da história no cargo): “Nossa maravilhosa porta-voz da Casa Branca… vai deixar o cargo no final do mês para passar mais tempo com seus lindos filhos pequenos e família, uma decisão que eu totalmente entendo e respeito!” E ainda garantiu que ela continuará como uma de suas principais conselheiras externas, influente voz no Partido Republicano, pronta para “desafiar a História” e vencer as midterms. Ou seja: não é exatamente uma aposentadoria. É mais um “vou sair da sala de imprensa, mas continuo no grupo do WhatsApp”.

Leavitt, que voltou da licença-maternidade em julho depois de dar à luz a segunda filha, Viviana, em maio (já tem um filho de cerca de dois anos), explicou em suas próprias palavras o drama existencial: desde que retornou, sentiu “no coração” que não consegue ser a melhor mãe que seus dois filhos pequenos merecem enquanto dedica “o tempo, a energia e a atenção constantes” exigidos pelo cargo. Decisão “agridoces”, segundo ela. Que lindo. Que humano. Que… conveniente.

Claro que ninguém poderia imaginar que o trabalho de porta-voz de Trump — aquele que envolve defender diariamente a versão oficial da realidade, engolir o que for preciso e sorrir enquanto o mundo desaba lá fora — pudesse ser incompatível com a vida de mãe de dois filhos pequenos. Ninguém. Absolutamente ninguém. Afinal, quem precisa de sono, vida pessoal ou sanidade mental quando se tem a honra de ser a voz oficial da administração?

O timing também é delicioso. Aprovação presidencial em baixa histórica, guerra no Irã sem fim à vista, preços altos, midterms batendo à porta… e a “maravilhosa” decide que agora é a hora certa de priorizar a família. Coincidência? Claro que sim. Tudo é coincidência em Washington.

Há quem veja cinismo na clássica desculpa de “passar mais tempo com a família” — aquela que já foi usada por tantos políticos antes dela quando as coisas ficam difíceis, quando a popularidade desaba ou quando simplesmente cansa de engolir sapos. Outros, mais generosos, dirão que é um ato de coragem maternal em um ambiente tóxico. Eu prefiro a versão intermediária: ela descobriu, com atraso de alguns meses, que ser a defensora oficial de uma administração em crise enquanto cria dois bebês é um combo que nem super-heroína aguenta.

No fim das contas, Karoline Leavitt sai do pódio da Casa Branca, mas não sai do jogo. Continua como conselheira externa, voz influente, combatente da “ameaça existencial” do Partido Democrata (nas palavras dela). A “linda família” ganha a mãe em tempo integral… ou pelo menos em tempo mais integral do que antes. E a imprensa americana perde uma das suas alvos preferidas de provocações diárias.

Que fique o registro: a “maravilhosa” porta-voz preferiu a fralda ao microfone. Pelo menos por enquanto. Porque em política, “passar mais tempo com a família” costuma ser apenas o intervalo entre um cargo e o próximo.