terça-feira, março 24, 2026

A Crônica Insana de Nayara Tormenta, a Deusa Épica do Rock Colombiano


Por Enéas Bispo 

Era uma vez, nas encostas fumegantes do vulcão Nevado del Ruiz, em 1981, uma menina nasceu gritando um riff de guitarra que fez o chão tremer por três dias seguidos. Os médicos juraram que era um terremoto. A mãe, uma curandeira indígena, sabia a verdade: aquilo não era choro. Era o primeiro solo de Nayara Vargas – que o mundo inteiro aprenderia a chamar de Nayara Tormenta.
Aos doze anos, ela já tocava uma Stratocaster roubada com as cordas feitas de arame farpado de uma fazenda de café. O primeiro show foi num boteco de Medellín chamado “El Infierno”. Quando ela atacou o acorde inicial de “Fogo nos Andes”, a luz da cidade inteira apagou. Não foi blecaute: foi a eletricidade se rendendo. O dono do bar, um velho narco arrependido, ajoelhou-se e disse: “Menina, você não é humana. Você é a deusa que o diabo tem medo.”
Aos dezenove, Nayara formou a banda Tormenta Eterna e gravou o disco que mudou a Colômbia para sempre. Durante a sessão de “Reina del Caos”, o estúdio pegou fogo cinco vezes. Ela não parou de cantar. Gravou os vocais dentro das chamas, com o cabelo queimando nas pontas e um sorriso de quem acabara de beijar o próprio Apocalipse. O álbum vendeu mais que qualquer coisa na história do rock latino – e isso porque, em cada show de lançamento, a plateia saía com marcas de queimadura de cigarro no peito que formavam o logotipo da banda.

Mas as histórias realmente loucas começaram depois.

Dizem que, numa noite de 2003, em Cartagena, Nayara desafiou o próprio Lúcifer para um duelo de solos no Forte de San Felipe. O Diabo apareceu de terno branco, guitarra feita de ossos de anjo. Nayara, vestida só com um macacão de couro vermelho e botas de cobra, tocou com os dentes. Quando o demônio errou uma nota, ela riu tão alto que o mar se abriu por dez minutos. Lúcifer fugiu deixando a guitarra dele – que Nayara usa até hoje. É por isso que, em todo show, a terceira corda sangra de verdade.
Em 2012, o helicóptero dela caiu na selva amazônica durante a turnê “Selva Eléctrica”. Em vez de pedir socorro, Nayara pegou o violão carbonizado e começou a tocar “Jaguar de Fogo”. Os índios da tribo que a encontrou juram que viram jaguares, araras e até uma anaconda de seis metros formarem um círculo e uivarem o refrão junto. Ela saiu da selva três dias depois, com um colar feito de presas de onça e um novo single na cabeça que, quando tocado, faz as plantas crescerem mais rápido.
Seus amores são lendas à parte. Namorou um xamã que prometeu dar a ela o poder da imortalidade. Ela aceitou, mas quando ele tentou controlá-la, Nayara cantou uma música tão pesada que o homem virou fã número um e hoje vende camisetas dela na porta dos shows. Depois veio o affair com o fantasma de um roqueiro colombiano morto nos anos 70 – ele aparecia no camarim, de jaqueta de couro rasgada, e tocava harmônica invisível. O romance terminou quando ela o mandou “voltar pro além, que aqui tem que pagar entrada”.
Hoje, aos 45 anos (mas parecendo eternamente 28), Nayara Tormenta prepara o álbum “Apocalipse Colombiano”. O primeiro single, “Deusa que Não Perdoa”, já causou um mini-terremoto de 4.2 na escala Richter quando foi tocado pela primeira vez na rádio de Bogotá. Ela promete que, no show de lançamento no Estádio Nemesio Camacho, o palco vai explodir de verdade – e os bombeiros já estão contratados com antecedência de seis meses.
Porque Nayara não é só uma diva do rock colombiano.
Ela é a deusa que desceu para lembrar que o rock não se faz com amplificador.
Se faz com raiva, com fogo, com selva, com vulcão e com um riso que faz o Diabo tremer.

E o melhor?
Ela ainda está só começando.

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