Por Enéas Bispo
A fabricante Ypê obteve a suspensão temporária dos efeitos da medida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que determinava o recolhimento, a interrupção da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos com lotes terminados em 1. A empresa apresentou recurso administrativo na sexta-feira (8), e a medida teve efeito suspensivo automático.
A decisão inicial da Anvisa, publicada em 7 de maio por meio da Resolução-RE nº 1.834/2026, foi motivada por “falhas graves” identificadas no processo produtivo na fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP). A agência apontou descumprimentos em etapas críticas de garantia da qualidade, produção e controle, com potencial risco de contaminação microbiológica.
Recurso suspende proibição, mas alerta permanece
De acordo com a Ypê, o recurso apresentado inclui esclarecimentos técnicos e subsídios adicionais. Com base no artigo 17 da RDC nº 266/2019 da Anvisa, o protocolo do recurso administrativo suspende automaticamente os efeitos da resolução até novo julgamento pela Diretoria Colegiada da agência, previsto para os próximos dias.
A Anvisa confirmou o efeito suspensivo do recurso, o que permite à empresa retomar a fabricação e comercialização dos produtos afetados. No entanto, a agência manteve a avaliação de risco sanitário e reforçou a recomendação para que consumidores não utilizem os itens dos lotes com numeração final 1. A orientação é interromper o uso imediatamente e contatar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Ypê para recolhimento.
Produtos afetados
A medida original atingia detergentes lava-louças (como Ypê Clear Care), sabões líquidos para roupas (Ypê, Tixan Ypê, Atol e Bak Ypê) e desinfetantes, fabricados na unidade de Amparo. Apenas os lotes terminados em 1 foram incluídos. A lista completa está disponível na Resolução 1.834/2026, publicada no Diário Oficial da União.
Posição da empresa
Em comunicado, a Ypê afirmou que a segurança dos consumidores é prioridade e reforçou o compromisso com o Plano de Ação e Conformidade. A empresa classificou a decisão inicial como arbitrária e desproporcional, mas optou pelo diálogo técnico via recurso administrativo.
O caso segue em análise pela Diretoria Colegiada da Anvisa. Consumidores que possuam os produtos em questão devem seguir a orientação da agência e evitar o uso até nova manifestação oficial.
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