sábado, outubro 24, 2026
Monalisa sai do quadro
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
O Grande Desatar
O Sena corria indiferente sob a Pont Neuf, como sempre fez, mas para Eve, aquelas águas não eram mais um espelho de melancolia romântica. Eram apenas hidrogênio e oxigênio seguindo um caminho que ela não pretendia mais trilhar.
Paris tem essa mania de se vender como um abraço eterno, mas Eve sentia o aperto de um torniquete.
Por Enéas Bispo
Naquela manhã de cinza pálido, o ar carregava o cheiro de manteiga queimada e asfalto úmido — o perfume oficial das promessas não cumpridas. Eve não arrumou as malas com a delicadeza de quem planeja voltar. Ela as socou com a fúria silenciosa de quem corta amarras.
- Os Laços: As agendas cheias de nomes que soavam como música, mas pesavam como chumbo.
- Os Monumentos: A Torre Eiffel, que outrora parecia um farol, agora não passava de um esqueleto de ferro vigiando sua estagnação.
- Os Sabores: O confit de canard, o vinho encorpado de Bordeaux, o queijo que derretia na boca — tudo aquilo agora tinha o gosto metálico da obrigação.
O Som do Silêncio
Enquanto caminhava em direção à Gare du Nord, vozes se ergueram. Eram os protestos dos "amigos" de galeria, os clamores dramáticos de amantes que confundiam posse com paixão, os apelos da própria cidade que sussurrava em cada esquina: "Ninguém deixa Paris e sai ileso".
Eve não ouviu. Ou melhor, ouviu e escolheu o vácuo.
Não houve o "olhar para trás" cinematográfico. Não houve a lágrima furtiva ao ver o Sacré-Cœur sumindo no horizonte. Para ela, a cidade luz tinha acabado de queimar a última lâmpada. O toque daqueles que tentaram retê-la pelo braço deslizou por sua pele como se ela estivesse untada em desapego.
A Liberdade é um Trem em Movimento
Ao sentar-se na poltrona do trem, o estalo das portas fechando foi o som mais bonito que ouviu em décadas. Não era apenas uma partida; era uma exorcização.
Paris ficava para trás com seus museus empoeirados de memórias e suas ruas que exigiam uma elegância que lhe exauria a alma. Eve Daut não estava fugindo; ela estava, finalmente, ocupando o próprio espaço.
Pela janela, o borrão cinza da capital deu lugar ao verde cru do campo. Ela fechou os olhos. Pela primeira vez, o oxigênio não tinha gosto de croissant, nem de fumaça, nem de passado. Tinha gosto de nada. E o nada, para Eve, era o começo de tudo.
segunda-feira, janeiro 29, 2024
Por que dar sopa para Monalisa? Um protesto pela alimentação saudável e sustentável
As manifestantes fazem parte do grupo francês "Riposte Alimentaire" (Resposta Alimentar), que defende o direito a uma alimentação saudável e sustentável para todos. Segundo elas, o sistema agrícola atual está doente e os agricultores estão morrendo no trabalho, vítimas de exploração, endividamento e agrotóxicos. Elas também denunciam o desperdício de alimentos, a poluição dos solos e das águas, e as emissões de gases de efeito estufa causadas pela produção e pelo transporte de alimentos.
Para resolver essa situação, o grupo propõe que os alimentos sejam incluídos na rede de segurança social e que cada residente receba um cartão com 150 euros por mês para comprar produtos pré-aprovados e "democraticamente selecionados". Eles também exigem que o governo apoie a transição para uma agricultura orgânica, local e diversificada, que respeite os direitos dos trabalhadores e dos animais, e que contribua para a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas.
O protesto no Louvre não foi o primeiro nem o último do grupo, que já realizou outras ações similares em outros museus e monumentos da França e da Europa. Eles afirmam que não têm nada contra a arte, mas que querem mostrar que não há arte em um planeta morto. Eles também esperam provocar um debate público sobre a questão alimentar, que consideram urgente e vital.
A reação das autoridades e do público foi mista. Alguns apoiaram a causa e a criatividade das ativistas, outros criticaram a violência e o desrespeito ao patrimônio cultural. A pintura da Monalisa não foi danificada, pois estava protegida por um vidro blindado, mas as manifestantes foram detidas e podem responder por vandalismo. O museu do Louvre informou que vai reforçar as medidas de segurança para evitar novos incidentes.
quarta-feira, outubro 20, 2010
COCO ROCHA
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
CAFÉ EXPRESSO!

05:00 da manhã...
quinta-feira, dezembro 31, 2009
... 2009 CHEGA AO FIM!

domingo, julho 26, 2009
Diálogo em torno de Nietzsche!
Discípulo: Mestre, oh único conhecedor do segredo último das coisas, peço-lhe humildemente que me fale um pouco sobre Nietzsche.Niestévisky: Nietzsche? Sim, claro... Hã... Deixe-me ver... Bem, era alemão e tinha um bigode muito estranho.
(Ao dizer isso, Niestévisky já havia dado o assunto por encerrado. Então um breve silêncio constrangedor surgiu no local, silêncio que só foi quebrado quando o discípulo criou coragem suficiente para pedir ao mestre que se aprofundasse mais sobre o assunto).
Discípulo: Desculpe a minha insistência, oh grande decodificador de todos os segredos existentes, mas peço-lhe que se aprofunde um pouco mais sobre o tema, oh grande sábio, pois ainda há algumas coisas que eu quero saber, por exemplo, o que o senhor acha sobre Nietzsche ter dito que Deus morreu?
Niestévisky: Sim, claro. É de conhecimento geral que os dois nunca se deram muito bem, exceto durante a infância, a infância de Nietzsche, é claro, pois Deus é bem mais velho que ele. Há até quem afirme que a desavença entre os dois nada mais era do que um conflito de gerações. Até pode ser, mas essa tese ainda carece de uma investigação mais profunda. Mas enfim, o fato é que Nietzsche não acreditava em Deus e Deus não acreditava em Nietzsche.Sobre a afirmação de que Deus morreu, bem, morreu mesmo. Mas para ser franco, há tantos deuses por aí, que um a mais ou um a menos, não faz muita diferença.Quando Nietzsche proferiu a tal frase, ela acabou por criar muita polêmica, pois o corpo do falecido jamais foi encontrado, fato esse que abre margem para especulações sobre a possibilidade de que ele ainda esteja vivo. Mas esse não é o meu caso, pois eu creio que ele tenha realmente morrido, e digo mais, Nietzsche também morreu. Assim, mortos os dois, acredito que a polemica está definitivamente encerrada. Vão-se os homens, e os deuses, mas o que importa é que as suas obras permanecem. Sim, os dois morreram, mas ainda estão vivos em nossos corações.
Discípulo: E o senhor pode me dar algum exemplo de como a filosofia de Nietzsche entra em conflito com a doutrina cristã?
Niestévisky: Bem, elas divergem em vários pontos, mas um dos que eu me lembro agora é que Deus afirma que Cristo voltará. Nietzsche também afirma que Cristo voltará, porém, infinitas vezes.
Seja o primeiro
IMAGEM.: Mestre e seu aluno/Claude Lefebvre:Museu do Louvre/Paris








+copy+copy.jpg)