Mostrando postagens com marcador Paris. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paris. Mostrar todas as postagens

sábado, outubro 24, 2026

Monalisa sai do quadro


Uma crônica sobre uma mulher que cansou de ser eterna.

Por Enéas Bispo 

Em 2026, depois de mais de cinco séculos sorrindo para desconhecidos, Monalisa tomou uma decisão: queria ver o mundo.
Estava cansada.
Cansada de permanecer imóvel, de fingir que aquele sorriso enigmático era suficiente para uma existência inteira. Cansada dos flashes, dos turistas que lhe apontavam celulares, dos especialistas que discutiam seu olhar como se ela não tivesse direito a guardar os próprios segredos. Cansada, sobretudo, de ser a mulher mais observada do mundo e, paradoxalmente, uma das que menos liberdade tinham para viver.
Certa manhã, enquanto o Louvre ainda despertava, ela olhou para a moldura dourada e pensou:
— Se Leonardo me pintasse hoje, será que me daria pernas para correr?
Foi quando percebeu que não precisava pedir licença ao artista. O quadro era uma obra-prima, mas não era uma prisão com escritura registrada.
Desceu da moldura, ajeitou o vestido e caminhou em direção à saída.
Na portaria, um segurança ergueu os olhos.
— Madame, seu ingresso?
Monalisa sorriu.
— Meu filho, passei quinhentos anos aqui dentro. Acho que já paguei o suficiente.
E saiu.
A primeira coisa que fez foi respirar fundo. Não aquele ar condicionado dos museus, cuidadosamente administrado para preservar obras antigas, mas o ar desobediente da rua, misturado ao cheiro de café, gasolina, pão quente e chuva anunciada.
Paris estava viva. E ela, pela primeira vez em séculos, também.

O disfarce de uma celebridade

Monalisa sabia que não poderia sair por aí com o rosto original. Bastaria um turista reconhecê-la para que, em minutos, a cidade inteira estivesse atrás dela.
Precisava de um disfarce.
Entrou numa pequena loja de roupas e escolheu um jeans, uma blusa preta, tênis confortáveis e um casaco largo. Prendeu os cabelos, colocou óculos escuros enormes e um boné que lhe escondia a testa.
Diante do espelho, examinou o resultado.
— Agora, sim. Uma mulher comum.
Fez uma pausa.
— Ou quase. Esse sorriso ainda vai me comprometer.
Decidiu também abandonar o próprio nome. Nas ruas, seria apenas Lisa, uma turista italiana que gostava de caminhar sozinha, tomar café sem pressa e não dar explicações sobre a própria vida.
O problema era que seu disfarce funcionava perfeitamente até alguém olhar para ela por mais de três segundos.
Havia alguma coisa naquele rosto. Uma familiaridade inexplicável. Uma expressão que parecia dizer: eu sei algo que você não sabe.
Era o suficiente para despertar suspeitas.

O que faria Monalisa nas ruas de Paris?

Monalisa descobriria que o mundo continuava cheio de mistérios, embora agora todos carregassem um telefone capaz de fotografá-los.
Pegaria o celular de uma moça distraída e perguntaria como funcionava aquela pequena máquina que fazia as pessoas sorrirem para uma tela enquanto ignoravam quem estava sentado diante delas.
Aprenderia a usar as redes sociais. Publicaria uma fotografia sem mostrar o rosto e escreveria:
“Hoje resolvi sair da moldura. Recomendo.”
Em menos de uma hora, a publicação teria milhões de visualizações.
Depois, caminharia às margens do Sena, observaria os barcos, entraria numa livraria e compraria um romance policial. Queria ler uma história em que não fosse ela o enigma.
Ao meio-dia, sentaria num banco de praça para comer um sanduíche. Talvez dividisse algumas migalhas com os pombos. Ficaria surpresa ao perceber que ninguém exigia dela um sorriso permanente para que o dia continuasse.
E, se alguém lhe perguntasse por que estava tão feliz, responderia:
— Porque hoje ninguém está pagando ingresso para me olhar.

A mulher que queria ser anônima

No começo da tarde, Monalisa resolveu entrar no próprio museu.
Não pela entrada principal, naturalmente. Entrou pela loja de lembranças, misturada aos visitantes, e ficou espantada com a quantidade de objetos que estampavam seu rosto.
Havia canecas, camisetas, chaveiros, bolsas, cadernos e até imãs de geladeira.
Ela pegou uma caneca com a própria imagem e examinou-a cuidadosamente.
— Meu Deus! Nem morta me deixam em paz.
Uma menina passou por ela, segurando a mão da mãe. Parou, olhou para a caneca e depois para Monalisa.
Olhou novamente.
Aproximou-se devagar.
— Mamãe, aquela moça parece a Monalisa!
A mãe sorriu, sem sequer levantar os olhos do celular.
— Parece, querida. Todo mundo parece alguém na internet.
A menina não se convenceu.
Monalisa abaixou o rosto, ajeitou o boné e saiu antes que a pequena detetive convocasse o mundo inteiro.
Foi nesse instante que compreendeu a ironia da própria existência: durante séculos, as pessoas haviam atravessado oceanos para contemplá-la. Agora, que ela desejava contemplar o mundo, precisava esconder-se delas.
A fama era uma espécie de moldura invisível. Não tinha madeira nem vidro, mas limitava seus movimentos com a mesma eficiência.

E se ela viesse ao Brasil?

No fim da tarde, enquanto observava o movimento de uma estação de trem, Monalisa teve uma ideia ainda mais ousada.
Por que limitar sua liberdade a Paris?
Compraria uma passagem para o Brasil.
Desembarcaria no Nordeste, onde descobriria que a vida também pode ser uma festa, mesmo quando o dinheiro é curto e o sol não oferece trégua.
Em alguma cidade do Cariri paraibano, por exemplo, entraria numa padaria, pediria café, cuscuz com queijo coalho e ficaria conversando com as pessoas.
Ali, ninguém teria tempo para discutir a técnica de sfumato de Leonardo da Vinci. Perguntariam de onde ela vinha, se tinha família, se era casada e o que fazia da vida.
— Sou artista — responderia.
— Artista de quê?
Ela pensaria um pouco.
— De ficar parada.
O padeiro cairia na gargalhada.
E Monalisa descobriria que fazer alguém rir era muito mais gratificante do que passar séculos sendo analisada por especialistas.
À noite, iria a uma praça, ouviria um sanfoneiro, comeria uma tapioca e observaria as famílias reunidas. Talvez dançasse forró, ainda que seus movimentos fossem desajeitados. Afinal, ninguém nasce sabendo dançar, nem mesmo uma obra-prima.
E se alguém reconhecesse seu rosto?
Ela inventaria uma desculpa:
— Sou prima distante daquela mulher do quadro. A família é italiana, sabe como é...
Talvez funcionasse.
Talvez não.
No Brasil, uma boa história, quando contada com convicção, às vezes consegue chegar mais longe do que a verdade.

O sorriso, finalmente, teria um motivo

Naquela noite, depois de um dia inteiro andando, conversando, comendo e descobrindo o mundo, Monalisa se sentaria num banco de praça.
Estaria cansada, com os pés doloridos, os cabelos desalinhados e o vestido amassado.
Pela primeira vez em mais de quinhentos anos, sentiria o cansaço de quem viveu um dia de verdade.
Pensaria em Leonardo, no Louvre, nos críticos, nos turistas e em todas aquelas pessoas que haviam tentado decifrar seu sorriso.
Talvez ele nunca tivesse sido um mistério.
Talvez fosse apenas o sorriso de uma mulher que sabia que havia muito mais vida do lado de fora do quadro.
Pegaria o celular e tiraria uma selfie.
Sem filtros.
Sem moldura.
Sem autorização de museu.
Publicaria a fotografia com uma legenda simples:
"Não sei quando volto. Por enquanto, estou ocupada vivendo.”
Em Paris, os alarmes do Louvre começariam a tocar. Especialistas discutiriam o desaparecimento. Jornalistas interromperiam a programação. As redes sociais entrariam em colapso.
E, em algum lugar do Nordeste brasileiro, uma mulher de boné, óculos escuros e sorriso suspeitamente familiar pediria mais um café.
Quando o atendente perguntasse se ela queria açúcar, Monalisa responderia:
— Hoje, meu filho, quero tudo o que a vida puder adoçar.
E sorriria.
Dessa vez, não para a eternidade.
Mas para o instante.
Porque, depois de quinhentos anos sendo admirada por milhões de pessoas, Monalisa finalmente descobrira que a maior obra de arte não era aquela que todos queriam ver.
Era a vida que ela ainda não tinha vivido.

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

O Grande Desatar


O Sena corria indiferente sob a Pont Neuf, como sempre fez, mas para Eve, aquelas águas não eram mais um espelho de melancolia romântica. Eram apenas hidrogênio e oxigênio seguindo um caminho que ela não pretendia mais trilhar.

​Paris tem essa mania de se vender como um abraço eterno, mas Eve sentia o aperto de um torniquete.

Por Enéas Bispo 

Naquela manhã de cinza pálido, o ar carregava o cheiro de manteiga queimada e asfalto úmido — o perfume oficial das promessas não cumpridas. Eve não arrumou as malas com a delicadeza de quem planeja voltar. Ela as socou com a fúria silenciosa de quem corta amarras.

  • ​Os Laços: As agendas cheias de nomes que soavam como música, mas pesavam como chumbo.
  • ​Os Monumentos: A Torre Eiffel, que outrora parecia um farol, agora não passava de um esqueleto de ferro vigiando sua estagnação.
  • ​Os Sabores: O confit de canard, o vinho encorpado de Bordeaux, o queijo que derretia na boca — tudo aquilo agora tinha o gosto metálico da obrigação.

​O Som do Silêncio

​Enquanto caminhava em direção à Gare du Nord, vozes se ergueram. Eram os protestos dos "amigos" de galeria, os clamores dramáticos de amantes que confundiam posse com paixão, os apelos da própria cidade que sussurrava em cada esquina: "Ninguém deixa Paris e sai ileso".

​Eve não ouviu. Ou melhor, ouviu e escolheu o vácuo.

​Não houve o "olhar para trás" cinematográfico. Não houve a lágrima furtiva ao ver o Sacré-Cœur sumindo no horizonte. Para ela, a cidade luz tinha acabado de queimar a última lâmpada. O toque daqueles que tentaram retê-la pelo braço deslizou por sua pele como se ela estivesse untada em desapego.

​A Liberdade é um Trem em Movimento

​Ao sentar-se na poltrona do trem, o estalo das portas fechando foi o som mais bonito que ouviu em décadas. Não era apenas uma partida; era uma exorcização.

​Paris ficava para trás com seus museus empoeirados de memórias e suas ruas que exigiam uma elegância que lhe exauria a alma. Eve Daut não estava fugindo; ela estava, finalmente, ocupando o próprio espaço.

​Pela janela, o borrão cinza da capital deu lugar ao verde cru do campo. Ela fechou os olhos. Pela primeira vez, o oxigênio não tinha gosto de croissant, nem de fumaça, nem de passado. Tinha gosto de nada. E o nada, para Eve, era o começo de tudo.

segunda-feira, janeiro 29, 2024

Por que dar sopa para Monalisa? Um protesto pela alimentação saudável e sustentável


Por Enéas Bispo
📷 AFP

No último domingo, 28 de janeiro de 2024, duas ativistas climáticas causaram alvoroço no museu do Louvre, em Paris, ao jogarem sopa vermelha no vidro que protege a pintura mais famosa do mundo: a Monalisa, de Leonardo da Vinci. O ato foi uma forma de chamar a atenção para a crise alimentar que afeta milhões de pessoas na Europa e no mundo, e para a necessidade de uma agricultura mais ecológica e socialmente justa.

As manifestantes fazem parte do grupo francês "Riposte Alimentaire" (Resposta Alimentar), que defende o direito a uma alimentação saudável e sustentável para todos. Segundo elas, o sistema agrícola atual está doente e os agricultores estão morrendo no trabalho, vítimas de exploração, endividamento e agrotóxicos. Elas também denunciam o desperdício de alimentos, a poluição dos solos e das águas, e as emissões de gases de efeito estufa causadas pela produção e pelo transporte de alimentos.

Para resolver essa situação, o grupo propõe que os alimentos sejam incluídos na rede de segurança social e que cada residente receba um cartão com 150 euros por mês para comprar produtos pré-aprovados e "democraticamente selecionados". Eles também exigem que o governo apoie a transição para uma agricultura orgânica, local e diversificada, que respeite os direitos dos trabalhadores e dos animais, e que contribua para a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas.

O protesto no Louvre não foi o primeiro nem o último do grupo, que já realizou outras ações similares em outros museus e monumentos da França e da Europa. Eles afirmam que não têm nada contra a arte, mas que querem mostrar que não há arte em um planeta morto. Eles também esperam provocar um debate público sobre a questão alimentar, que consideram urgente e vital.

A reação das autoridades e do público foi mista. Alguns apoiaram a causa e a criatividade das ativistas, outros criticaram a violência e o desrespeito ao patrimônio cultural. A pintura da Monalisa não foi danificada, pois estava protegida por um vidro blindado, mas as manifestantes foram detidas e podem responder por vandalismo. O museu do Louvre informou que vai reforçar as medidas de segurança para evitar novos incidentes.

quarta-feira, outubro 20, 2010

COCO ROCHA

Coco Rocha é uma modelo incrível, tem um rosto marcante e tem atitude; já trabalhou com todo mundo que importa do mundo da moda.
Coco nasceu no Canadá mas vive em trânsito: Paris, NY, São Paulo! Onde solicitam a sua beleza ela leva, desde que paguem um rio de dinheiro. ELA VALE MUITO !!!

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

CAFÉ EXPRESSO!


05:00 da manhã...
...Paris já está desperta!
Quero dizer, ela nem adormeceu!
Paris é notívaga, indisfarçada e sonâmbula.
A moça acelera a moto e vai em alta velocidade margeando o Sena.
O mundo inteiro a olha; olhos brasileiros, japoneses, italianos, ingleses, americanos, argentinos, suiços, suecos, p...
O mundo todo está em Paris.
Ao vivo, as antenas de TV.
A moça acelera.
Seus olhos coloridos, espelho retrovisor
Tem pressa.
Uma faca na cozinha!
Um mapa da Europa.
É preciso ver para sentir, é preciso sentir para ver.
Pensa ela!
Estou misantropa, preciso de anticorpos.
Nossa como Paris tem pessoas.
Pensa ela!
Reduz a velocidade.
O sinais estão todos verdes para mim.
Pensa ela!
Na velocidade não tem como ler os destaques do Le Monde que fala de pandemia, tecnociência.
O som do motor eleva sua taxa de adrenalina
Ela pensa nas orelhas de Deus.
Como serão as orelhas de Deus?
Idagações silenciosas.
Serão parecidas com as do Sarkozy?
Como são as orelhas do Sarkozy?
Pensa em livros infantis, em edições esgotadas.
Passatempo,
Palavras-cruzadas,
Discuções,
Debates,
Conspirações.
Quem conspira?
Pensa em design.
Paris precisa urgente ser redesenhada.
Quanto tempo eu levaria para ler OS IRMÃOS KARAMAZOV?
"Se Deus não existe, tudo é permitido".
Estou pensando demasiado em Deus!
Ui!
Guerra e Paz!
Catedral de Notre-Dame
Sinistra a essa hora da manhã!
Estaciona ao lado do Le Quasimodo Cafe Bar
Café Expresso!

Texto e Arte: Enéas Bispo de Oliveira

quinta-feira, dezembro 31, 2009

... 2009 CHEGA AO FIM!


E 2009 termina hoje! Se você chegou até aqui parabéns! Você é um sobrevivente do Planeta Azul: TERRA! O planeta Terra era azul, agora já não sei, com tanta poluição já deve ter mudado de cor, talvez esteja até com uma cor mais bonita. Mas continuo achando que a cor azul é a melhor cor para um planeta habitável.
.........
Se eu tivesse que lhe dar um conselho para 2010 este seria um: leia muito! Leia revistas, jornais, o meu blog e sobretudo leia livros. O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte escreveu em sua obra A Rainha do Sul: " Eu gosto de livros, pois os livros são portas que nos levam a rua. Com eles aprendemos, educamos-nos, viajamos, sonhamos, imaginamos, vivemos outras vidas e multiplicamos a própria vida por mil. E também serve para manter à distância muitas coisas negativas: Fantasmas e Saudades. Às vezes interrogo-me como conseguem superar as coisas, aqueles que não lêem." Esse é o caminho, ler.
.........
O meu 2009 foi muito positivo. Viajei muito, tirei férias em Paris com meu amor, viajei por Portugal, viajei pelo Brasil, fiquei muito tempo ao lado do meu amor, fiquei muito com a minha família. Li muito, vi muitos filmes no cinema. Trabalhei, fiz fotos maravilhosas. Você vai me perguntar: não aconteceu nada desagradável? Sua vida é sempre perfeita assim? Respondo: não, claro que não é sempre perfeita; aconteceram coisas desagradáveis em 2009, mas estas não contabilizo no balanço final, não vale a pena, o que vale a pena são as coisas boas que vivemos e são a estas que devemos agarrar como um barqueiro faz com o remo.
Óbvio é dizer que coisas agradáveis e não agradáveis irão continuar acontecendo a nós e ao mundo em 2010, este é o preço de se estar vivo.
No Brasil os políticos vão continuar roubando o nosso dinheiro e escondendo-o nas suas imundas cuecas e meias, e impotentes ficaremos vendo pela televisão.
Alguma gostosa vai a todo custo tentar se transformar em celebridade instantânea e, a Revista Playboy vai publicar fotos da "celebridades" nua; muitos homens vão comprar a revista achando que encontrarão novidades nunca vistas em mulher nenhuma.
........
William Bonner e Fátima Bernardes continuarão apresentando o Jornal Nacional e anunciarão em algum tempo que uma enchente atingiu o Sul, um morro desabou, alguém acertou o prêmio milionário da Mega-Sena e mais um atleta foi pego no teste anti doping.
A Revista Caras vai mostrar mais uma dondoca na sua mansão ou degustando caviar na Ilha de Caras.
O Jô Soares mais uma vez vai levar o Ziraldo ao programa, e mais uma vez o Ziraldo vai mentir dizendo que continua sem brochar. Brochante mesmo é o Ziraldo todos os anos no Programa do Jô. Me convida Jô, eu também direi que nunca brochei.
Para finalizar desejo um 2010 com dinheiro no bolso, saúde e sucesso.

Texto: Enéas Bispo de Oliveira
Imagens: Pesquisa Google e Enéas Bispo de Oliveira

domingo, julho 26, 2009

Diálogo em torno de Nietzsche!

Discípulo: Mestre, oh único conhecedor do segredo último das coisas, peço-lhe humildemente que me fale um pouco sobre Nietzsche.
Niestévisky: Nietzsche? Sim, claro... Hã... Deixe-me ver... Bem, era alemão e tinha um bigode muito estranho.
(Ao dizer isso, Niestévisky já havia dado o assunto por encerrado. Então um breve silêncio constrangedor surgiu no local, silêncio que só foi quebrado quando o discípulo criou coragem suficiente para pedir ao mestre que se aprofundasse mais sobre o assunto).
Discípulo: Desculpe a minha insistência, oh grande decodificador de todos os segredos existentes, mas peço-lhe que se aprofunde um pouco mais sobre o tema, oh grande sábio, pois ainda há algumas coisas que eu quero saber, por exemplo, o que o senhor acha sobre Nietzsche ter dito que Deus morreu?
Niestévisky: Sim, claro. É de conhecimento geral que os dois nunca se deram muito bem, exceto durante a infância, a infância de Nietzsche, é claro, pois Deus é bem mais velho que ele. Há até quem afirme que a desavença entre os dois nada mais era do que um conflito de gerações. Até pode ser, mas essa tese ainda carece de uma investigação mais profunda. Mas enfim, o fato é que Nietzsche não acreditava em Deus e Deus não acreditava em Nietzsche.Sobre a afirmação de que Deus morreu, bem, morreu mesmo. Mas para ser franco, há tantos deuses por aí, que um a mais ou um a menos, não faz muita diferença.Quando Nietzsche proferiu a tal frase, ela acabou por criar muita polêmica, pois o corpo do falecido jamais foi encontrado, fato esse que abre margem para especulações sobre a possibilidade de que ele ainda esteja vivo. Mas esse não é o meu caso, pois eu creio que ele tenha realmente morrido, e digo mais, Nietzsche também morreu. Assim, mortos os dois, acredito que a polemica está definitivamente encerrada. Vão-se os homens, e os deuses, mas o que importa é que as suas obras permanecem. Sim, os dois morreram, mas ainda estão vivos em nossos corações.
Discípulo: E o senhor pode me dar algum exemplo de como a filosofia de Nietzsche entra em conflito com a doutrina cristã?
Niestévisky: Bem, elas divergem em vários pontos, mas um dos que eu me lembro agora é que Deus afirma que Cristo voltará. Nietzsche também afirma que Cristo voltará, porém, infinitas vezes.

Seja o primeiro

IMAGEM.: Mestre e seu aluno/Claude Lefebvre:Museu do Louvre/Paris