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quarta-feira, junho 03, 2026

Leão XIV quebra tradição secular e primeira mulher leiga vai liderar um ministério do Vaticano


A nomeação de Maria Montserrat Alvarado para chefiar o Dicastério para a Comunicação da Santa Sé marca um momento sem precedentes na história da Igreja Católica.

Por Enéas Bispo 

O papa Leão XIV nomeou, pela primeira vez, uma mulher leiga para chefiar um "ministério" no Vaticano.A escolhida é Maria Montserrat Alvarado, nascida no México, atual presidente do meio de comunicação católico EWTN News, que vai assumir as funções de prefeita do Dicastério para a Comunicação a 1 de novembro de 2026.
A decisão, anunciada esta terça-feira pela Sala de Imprensa da Santa Sé, é considerada histórica: Alvarado será a primeira mulher leiga a comandar a área de comunicação do Vaticano e uma das primeiras mulheres a liderar um dicastério da Cúria Romana.

Quem é Maria Montserrat Alvarado?

Atualmente presidente e diretora operacional da EWTN News, a mexicana assumirá oficialmente a função em 1.º de novembro de 2026, tornando-se a primeira mulher leiga a ocupar o cargo de prefeita de um dicastério do Vaticano. Nascida na Cidade do México, Maria Montserrat Alvarado possui formação académica pela Florida International University e pela George Washington University.

A EWTN News, divisão jornalística da cadeia televisiva católica mundial, supervisiona plataformas de mídia internacionais que produzem conteúdos em sete idiomas para televisão, rádio, imprensa, meios digitais e redes sociais. Ao ser nomeada, a nova prefeita declarou estar ansiosa por continuar, com amizade e esperança, o importante trabalho de fortalecimento do Dicastério, para que ele possa servir a Igreja em Roma e em todos os lugares, comunicando Cristo ao mundo.

Uma reforma em marcha

O Dicastério para a Comunicação supervisiona os vastos serviços de imprensa escrita, rádio e televisão do Vaticano, que transmitem para um público mundial. Alvarado sucede a Paolo Ruffini, jornalista italiano e primeiro leigo a dirigir um "ministério" na Cúria Romana, nomeado pelo papa Francisco a 5 de julho de 2018. Ruffini deixará o cargo ao completar 70 anos, idade prevista para aposentadoria.
Com esta nomeação, Leão XIV prossegue o processo de reforma e renovação da Cúria Romana iniciado pelo antecessor papa Francisco.A chegada de mulheres a postos de topo no Vaticano tem sido gradual mas consistente: no início de 2025, o papa Francisco nomeou pela primeira vez uma mulher — a religiosa Simona Brambilla — para chefiar um ministério no Vaticano, assumindo a direção do Dicastério para os Institutos da Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Em março de 2025, a religiosa Raffaella Petrini assumiu a presidência da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano.  
A diferença desta nomeação reside precisamente no estatuto de leiga: na tradição católica, o termo "leigo" designa os fiéis batizados que não pertencem ao clero — formado por padres, bispos e diáconos — nem à vida religiosa consagrada, como freiras, monges e noviços.

Uma Igreja que se transforma

A escolha de Alvarado é um reflexo da intenção do Papa Leão XIV de diversificar e modernizar a estrutura administrativa da Igreja, ampliando a participação feminina em posições de liderança. A nomeação ocorre num momento de transformação na comunicação da Igreja, que procura adaptar-se às novas realidades do mundo digital.
O papa Francisco, que morreu em abril de 2025, tinha sido um dos grandes impulsionadores desta abertura, apelando publicamente a que se ultrapassasse a "mentalidade machista" da Igreja Católica, que, nas suas palavras, não confiava cargos de responsabilidade suficientes às mulheres.
Com Leão XIV a continuar esse caminho — e a dar-lhe um passo inédito —, a Santa Sé envia ao mundo uma mensagem clara: a renovação não é apenas retórica. É institucional.