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quinta-feira, abril 09, 2026

Ataque israelense mata jornalista da Al Jazeera em Gaza: mais uma vítima da violência contra a imprensa


Por Enéas Bispo 

Um drone israelense atingiu o veículo de Mohammed Wishah, correspondente da Al Jazeera Mubasher, na tarde de quarta-feira (8 de abril), matando o jornalista e pelo menos outra pessoa. O incidente ocorreu na estrada costeira al-Rashid, a oeste da Cidade de Gaza.

Wishah, que trabalhava na rede catariana desde 2018, foi atingido enquanto transitava em uma área da Faixa de Gaza. Imagens divulgadas após o ataque mostraram o carro em chamas. Equipes de defesa civil palestina recuperaram os corpos carbonizados do veículo.

A Al Jazeera condenou o ocorrido de forma veemente. Em comunicado oficial, a emissora descreveu o ataque como um “crime hediondo” e “deliberado”, afirmando que se trata de uma tentativa de intimidar jornalistas e silenciar a cobertura da realidade em Gaza. “Não foi um ato aleatório, mas um crime direcionado para impedir o exercício da profissão”, destacou a rede, que responsabilizou integralmente as forças israelenses.

O funeral de Mohammed Wishah aconteceu nesta quinta-feira (9 de abril) em Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza, com a presença de colegas, familiares e moradores.

Israel atribui o alvo a militante do Hamas

As Forças de Defesa de Israel (IDF) assumiram o ataque e alegaram que Wishah era um “militante chave do Hamas” que atuava na produção de foguetes e armamentos. Segundo o Exército israelense, ele “operava sob o disfarce de jornalista” e planejava ataques contra tropas israelenses na região.

A IDF retomou acusações feitas em 2024, quando divulgou imagens e documentos supostamente encontrados em um laptop do jornalista, mostrando-o com armamentos antitanque. A Al Jazeera rejeita categoricamente essas acusações, classificando-as como “calúnias” usadas para justificar ataques contra profissionais de imprensa.

Contexto: 262 jornalistas palestinos mortos desde 2023

A morte de Mohammed Wishah eleva para 262 o número de jornalistas e profissionais de mídia palestinos mortos em ataques israelenses desde o início da guerra, em outubro de 2023, segundo o Escritório de Mídia do Governo de Gaza. A Al Jazeera afirma que ele é pelo menos o 11º profissional da rede morto no conflito.
Organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa, como o Committee to Protect Journalists (CPJ) e Repórteres Sem Fronteiras (RSF), têm registrado Gaza como o lugar mais perigoso do mundo para jornalistas nos últimos anos. Críticos acusam Israel de praticar um padrão sistemático de ataques contra a mídia, enquanto o governo israelense sustenta que apenas alvos militares ou militantes são atingidos.

O ataque ocorreu em meio a um cessar-fogo frágil, mediado internacionalmente, que vem sofrendo violações relatadas por ambos os lados.

Repercussão

A morte de Wishah gerou comoção na Faixa de Gaza e condenações de diversos veículos e entidades de imprensa. Colegas da Al Jazeera destacaram que “as histórias que ele tentava contar não terminam aqui”.
Enquanto o conflito segue com tensões elevadas, o caso reforça o debate global sobre a proteção de jornalistas em zonas de guerra e a aplicação das Convenções de Genebra, que estabelecem que profissionais de mídia não devem ser alvos diretos.

quinta-feira, março 07, 2024

As crianças da Gaza

Por Enéas Bispo

Elas brincam entre os escombros

De casas que já foram lar

Elas sonham com um futuro

Que talvez nunca vá chegar


Elas choram pelos seus pais

Que perderam na guerra sem fim

Elas sofrem com a fome e a sede

Que lhes roubam a saúde e o ânimo


Elas clamam por justiça e paz

Que lhes negam os que têm poder

Elas esperam por um milagre

Que lhes devolva o direito de viver.