Por Enéas Bispo
Morreu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, a atriz Glória Menezes, aos 91 anos, em sua casa. A notícia, confirmada pela assessoria da artista, marca o fim de uma trajetória de mais de seis décadas que ajudou a construir a própria identidade da teledramaturgia brasileira.
Uma pioneira da televisão
Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas (RS), em 1934, Glória Menezes se mudou ainda criança para São Paulo, onde estudou na Escola de Arte Dramática da USP e fundou um grupo de teatro chamado Jovens Independentes. Sua estreia na TV aconteceu em 1959, em "Um Lugar ao Sol", e desde então ela se tornou uma presença constante na vida dos brasileiros, atravessando novelas marcantes como "2-5499 Ocupado" — a primeira novela diária da televisão nacional —, "Sangue e Areia", "Cavalo de Aço", "Rainha da Sucata", "Senhora do Destino" e "A Favorita", encerrando a carreira em telenovelas com "Totalmente Demais", em 2015.
No cinema, participou de sete longas-metragens, entre eles "O Pagador de Promessas" (1962), filme brasileiro premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes — um marco histórico para o cinema nacional. Versátil, transitou com naturalidade entre mocinhas e vilãs memoráveis, consolidando-se como uma das grandes damas da dramaturgia brasileira.
O amor que virou lenda
Foi nos bastidores da TV que Glória conheceu Tarcísio Meira, em 1961, durante um teleteatro da TV Tupi. Dali nasceu um romance que se transformaria em casamento e em um dos casais mais icônicos da história da televisão brasileira — juntos por quase seis décadas, até a morte de Tarcísio, em 2021. Formaram par romântico diversas vezes nas telas, e sua união fora delas se tornou símbolo de parceria e constância num meio marcado por instabilidades.
Do casamento nasceu Tarcísio Filho, que seguiu os passos dos pais e também se consagrou como ator, dando continuidade a uma verdadeira dinastia artística.
Legado cultural
Mais do que uma carreira de sucesso, Glória Menezes deixa um legado que atravessa gerações: ajudou a moldar a linguagem da telenovela brasileira, gênero que se tornou um dos maiores produtos culturais e de exportação do país. Sua trajetória é também um retrato de como arte, amor e família podem caminhar juntos, sustentando uma vida pública sem abrir mão da intimidade e dos afetos mais profundos.
Glória Menezes se vai, mas permanece viva na memória afetiva de milhões de brasileiros que cresceram acompanhando suas histórias — e na própria história da televisão do país, que ela ajudou a escrever.
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