Por Enéas Bispo
A influenciadora digital, advogada e empresária Deolane Bezerra, presa na última quinta-feira (21) na Operação Vérnix, que investiga lavagem de dinheiro supostamente ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), tornou-se centro de uma nova controvérsia: acusações de tratamento diferenciado durante sua passagem pela Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista.
Deolane foi detida em sua mansão em Alphaville, Barueri, e passou cerca de 14 horas na unidade de Santana antes de ser transferida, na manhã de sexta-feira (22), para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo (a quase 670 km da capital).
O que o sindicato denuncia
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) encaminhou uma denúncia formal à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) listando supostas regalias concedidas à influenciadora:
● Chuveiro exclusivo e quente: Enquanto as demais detentas tomam banho frio, Deolane teria tido acesso a um chuveiro elétrico privativo.
● Cama diferenciada: Em vez das camas de concreto comuns da unidade, ela teria recebido uma cama de ferro ou modelo diferente, além de roupa de cama distinta.
●Alimentação especial: Cardápio diferente do padrão oferecido às outras presas.
● Reforma na cela: Policiais penais relataram em áudios que a cela onde ela ficou foi pintada e adaptada especialmente para sua chegada.
Um agente penal chegou a ironizar a situação: “Mandaram pintar toda a cela, colocar chuveiro quente... só faltou o tapete vermelho”. Outro descreveu o episódio como “uma vergonha” e “decepção”.
A SAP informou que as denúncias serão apuradas e que Deolane foi alocada conforme determinação judicial, considerando sua condição de advogada.
Defesa e prerrogativas profissionais
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defende que parte dos benefícios não configuram privilégios ilegais, mas prerrogativas profissionais previstas em lei para advogados presos preventivamente. Entre elas está o direito a ficar separado dos demais presos (cela especial), o que explica sua transferência para uma ala específica em Tupi Paulista.
Atualmente, Deolane divide uma cela especial de aproximadamente 9 m² com outra advogada. A unidade de Tupi Paulista está superlotada (873 detentas em uma capacidade para 714), mas a ala destinada a profissionais do Direito oferece mais privacidade, ventilador, chuveiro e estrutura básica.
A defesa de Deolane nega as acusações de lavagem de dinheiro e classifica a prisão como “perseguição que se repete”. Ela já havia sido presa preventivamente em 2024 em outra operação.
Contexto da prisão
A Operação Vérnix investiga um esquema milionário de lavagem de dinheiro para o PCC, com uso de empresas de fachada, incluindo uma transportadora em Presidente Venceslau. Deolane é apontada pelas investigações como possível “caixa” da organização. A Justiça manteve sua prisão após audiência de custódia.
O caso segue gerando grande repercussão nas redes sociais, dividindo opiniões entre quem vê abuso de poder e quem defende que a lei deve ser aplicada igualmente a todos, independentemente de fama ou profissão.
A Secretaria de Administração Penitenciária deve se manifestar oficialmente sobre a apuração das denúncias nos próximos dias.
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