Esqueça o estereótipo do "velho coronel" de chapéu de palha. O novo rosto do agronegócio brasileiro — o setor que carrega o PIB do país nas costas — é feminino, usa tecnologia de ponta e toma decisões bilionárias entre uma safra e outra.
Hoje, as mulheres não estão mais "ajudando" no campo; elas estão no comando. De acordo com dados recentes, a participação feminina no setor cresceu quase 2% apenas no último ano, superando o ritmo de crescimento masculino. Já são cerca de 1 milhão de mulheres gerindo propriedades rurais que somam mais de 30 milhões de hectares.
De Herdeiras a Estrategistas: A Quebra do Teto de Vidro Rural
A sucessão familiar, antes um caminho quase exclusivo para os filhos homens, tornou-se o palco da maior revolução administrativa do campo. Mulheres como Marcia Piati Bordignon, que trocou a sala de aula pela gestão da fazenda após a perda do pai, provam que competência não tem gênero.
"Ninguém acreditava que daríamos conta do recado. Mas o conhecimento é a nossa melhor ferramenta. Fiz cursos de mecânica, plantio direto e administração. Hoje, aumentamos a capacidade da fazenda em 40%," afirma Marcia.
O Poder em Diferentes Culturas
A força feminina não se restringe a uma única região ou produto. Elas estão em todos os frontes:
- Mulheres da Soja e Milho: Lideram a exportação de grãos com foco em agricultura de precisão e gestão de custos.
- Mulheres do Café: Estão na vanguarda dos cafés especiais. Dona Zezinha, coordenadora do grupo Flores do Café, destaca o "olhar detalhista" que agrega valor ao grão.
- Mulheres da Pecuária: Como Érika Bannwart, referência em genética e sustentabilidade, quebrando o preconceito em um ambiente historicamente conservador.
O Campo tem Rosto de Mulher
Conversamos com lideranças que estão mudando a forma como o mundo enxerga o agro brasileiro.
Simone Bossa de Paula, pecuarista e liderança na CNA, é direta sobre o atual momento:
"As mulheres rurais sempre trabalharam duro, mas agora entendemos nosso lugar, nosso poder e nosso direito de estar onde as decisões são tomadas. Não somos mais sombra; somos o motor."
Já Sonia Bonato, que trocou a cidade pelo interior de Goiás, reflete sobre a resistência que ainda existe, mas que está sendo vencida pela produtividade:
"No começo, eu era a única mulher nas palestras. Hoje, vejo o agro se transformando. A mulher traz uma sensibilidade para a gestão de pessoas e para a sustentabilidade que o mercado internacional exige."
Os Desafios: O que ainda falta conquistar?
Apesar dos avanços, a jornada é íngreme. A sub-representação em conselhos de grandes cooperativas e a dupla jornada (gestão da fazenda + responsabilidades domésticas) ainda são barreiras reais. Além disso, o acesso ao crédito rural, embora tenha crescido (com programas como o Pronaf Mulher), ainda precisa de políticas mais agressivas para equiparar as oportunidades.
O Agro é Delas
O agronegócio brasileiro não é apenas "pop", ele é feminino. As CEOs do Campo estão provando que a rentabilidade caminha de mãos dadas com a inovação e o cuidado ambiental. Elas não estão apenas produzindo alimentos; estão produzindo riqueza, desenvolvimento e, acima de tudo, um novo legado para as próximas gerações de brasileiras.
O que você achou desta revolução feminina no campo? Você conhece alguma "Mulher do Agro" que merece ter sua história contada aqui? Deixe seu comentário.
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