quinta-feira, julho 17, 2014
Quem eu sou
Por Enéas Bispo de Oliveira
Um elo, uma corrente, uma âncora de nau nenhuma.
Sou planície, montanha, escuro, transparência.
Sou um monte Etna, campos gelados da Sibéria.
Sou argila sem cor que não se molda
Vivo do prazer, me renasço na dor.
Me pareço em gestos, em olhares que convencem.
Sou duende, sou diabo e anjo numa hora só.
Sou quem você vê agora, para já não ser na página seguinte.
Me repito sempre, nunca sou inédito, nunca fui inédito, sou muito previsível.
Em algum momento posso te surpreender.
Seria legal ser diferente, mas não sou, mesmo me cansando de quem agora sou.
Sou agora contradição.
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