Ela sabe secretamente o que eu sei também em segredo: nós fomos feitos um para o outro e construiremos juntos o único sentido para a vida.
Ela passa e confessa no olhar nossa conspiração de felicidade.
Falo de amor, dos olhos verdes e da vontade de entregar minha boca à sua boca de lábios cheios. Uma boca ironicamente meiga.
Ela passa e deixa que eu adivinhe seu perfume, o mesmo dos caminhos floridos que percorríamos sempre que desconfiávamos que íamos ficar tristes.
Ela passa e diz no olhar que seu pensamento esteve fixo em mim durante todas as horas em que ela esteve acordada, porque tem a certeza de que durante toda a minha vigília meu pensamento não se afasta nunca dela e sonha com a possibilidade remota e quase impossível de nosso reencontro.
Ela tem consciência do imenso desperdício de nossa distância inexplicável e cultiva como eu o passatempo de enumerar todos os obstáculos intransponíveis que nos separam, sabendo-os até úteis para que esse amor se perenize pela impossibilidade. Uma forma de amar, talvez a mais bela forma de amar o amor impossível.
Ela sabe como eu que a única forma de tornar digna e gloriosa a vida é sonhar com esta hipótese animada de esperança.
Ela e eu nutrimos o sonho de nossa aliança, imaginamos que cedo se abrirão todas as janelas e o sol de nossa alegria entrará pela casa que urdimos para nós, repleta de flores, de paz, de encantamento.
Ela que é um doce pássaro, doce, doce,doce...
Ela e só ela!

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